Em uma vibrante celebração do esporte e da inclusão, atletas refugiados venezuelanos participaram da etapa de Roraima do Meeting Paralímpico Loterias Caixa, evento realizado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) no último sábado (12/06), em Boa Vista, Roraima. A iniciativa marcou mais do que uma competição: foi um momento de visibilidade, reconhecimento e oportunidade de recomeço para atletas com deficiência que vivem em situação de deslocamento forçado.
O total de 108 atletas participaram da competição, com provas de atletismo, natação e tiro com arco. A maior parte dos competidores venezuelanos competiram nas modalidades paralímpicas pela primeira vez em solo brasileiro e vivem nos abrigos da Operação Acolhida – resposta humanitária do Governo Brasileiro para o acolhimento e integração de pessoas venezuelanas, que conta com o apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e de diversas outras organizações internacionais e da sociedade civil.
Além de revelar talentos, o evento fortaleceu o trabalho de inclusão e promoção de direitos de pessoas refugiadas com deficiência, muitas vezes em situação de camadas sobrepostas de vulnerabilidade. O ACNUR reforça que o acesso ao esporte pode ser uma ferramenta poderosa de proteção e reconstrução digna de vidas, promovendo sociabilidades, saúde mental, autoestima e integração com as comunidades locais.
“O esporte é uma linguagem universal e um meio pelo qual seus praticantes, independentemente de qualquer modalidade ou perfil, podem se desenvolver e agregar novos conhecimentos que valorizam sua vida. O ACNUR trabalha em parceria com as confederações paralímpicas e olímpicas para evidenciar o que é notório socialmente: com oportunidades, as capacidades das pessoas refugiadas são valorizadas e elas são vistas como contribuidoras do desenvolvimento social, sendo esta uma das maiores conquistas”, afirmou Davide Torzilli, Representante do ACNUR no Brasil.
Exemplo disso foi a participação de três atletas venezuelanos que integram o Clube Ases de Cadeira de Rodas de Roraima. Martin Medrano, de 47 anos, vive desde 2024 em um abrigo da Operação Acolhida. Embora ele tenha competido no lançamento de dardo, alcançando o índice de 19,87m, e no arremesso de peso, com a marca de 7,44m, ele iniciou a prática esportiva no ano passado, por meio do basquete em cadeira de rodas, no Centro de Referência Paralímpico do CPB, em Boa Vista.
“Para uma primeira competição, gostei do resultado. Claro que quero e sei que posso melhorar, e aqui no Brasil tenho apoio para continuar treinando e tentando. No abrigo, tenho condições dignas para mim e minha família, mas agora posso sonhar com uma vida melhor”, disse o atleta que vive em Boa Vista com a esposa e a filha de 12 anos. “Estamos aqui torcendo e lutando para que o esporte seja um meio de construir uma vida nova. Quero competir muito e viver do esporte”, completou.
Seu conterrâneo Alesander Lima, 48, também estreou em competições neste sábado no lançamento de dardo (5,54m) e no arremesso de peso (2,58m). Da mesma forma que Martin, Alesander evidenciou a satisfação em competir junto com atletas brasileiros.
“Estou muito feliz por estar aqui e poder sonhar em seguir no esporte. Minha família ficou na Venezuela, mas encontrei no abrigo e no esporte pessoas que me acolheram e se tornaram parte da minha história”, contou o atleta, que teve poliomielite aos dois anos e apresenta comprometimentos nos membros superiores e inferiores.
O Meeting Loterias Caixa em Roraima foi também uma demonstração de como o Brasil pode ser um espaço de proteção e oportunidade para quem foi forçado a deixar tudo para trás, exceto o desejo e a vontade de estarem inseridos socialmente e integrados em suas comunidades, algo que os esportes têm vocação em concretizar.
“Possibilidades de inclusão e integração se fazem com acesso e os esportes trazem essa possibilidade. O compromisso assumido pelo Comitê Paralímpico Brasileiro, inclusive em sua proposta feita ao Fórum Global sobre Refugiados do ACNUR, é um marco importante de como se pode agregar diversidade em espaços onde a competição se torna um meio de cooperação”, conclui o Representante do ACNUR.
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